terça-feira, fevereiro 14, 2006

Nós, "os outros"

Hoje é dia de São Valentim.

Merda p'ro padre! Quem é que lhe mandou armar-se em santinho e começar a casar os parezinhos em segredo?! Actualmente, o Dia dos Namorados é mais uma oportunidade de negócio, (muito) bem aproveitada pelas grandes superficies para fazerem negócio numa época que deveria ser baixa.

Vejam bem que até anúncios na televisão se lembraram de meter. Daqueles anúncios...estilo..."o LIDL sugere para o Dia dos Namorados".

Quer-se dizer, estamos a colocar o Dia da Mãe e o Dia dos Namorados no mesmo saco? Impossivel!!, e é impossivel por várias razões.

A começar logo na exclusividade do estatuto da Mãe. Mãe há só uma, porra!! E namorados (as)?? Muitos, bueses, paletes, magotes...E muitas vezes ao mesmo tempo!! Enquanto se está a comemorar o Dia dos Namorados com "o verdadeiro", "o outro" está em casa, na rua, na cama ou onde bem lhe apetecer!

A minha tenrice neste tipo de relacionamentos (contam-se pelos dedos de uma mão!) pode ajudar a explicar uma certa desilusão que se tem apoderado de mim...

Quando num dia agradável para a prática de desportos de vela dei por mim, com 16 aninhos, na praia, enrolado na toalha da Susaninha, senti-me finalmente um Homem. Ela namorava com um tropa e ali estávamos nós (mais eu que ela, confesso...) a comer areia, cabelos, labios, lingua...

Tinha finalmente cometido a doidice de ajudar a enfeitar a testa de alguém. E logo de um tropa! E logo com uma rapariga mais velha!

Mas ser-se "o enfeitador" é óptimo até à altura em que nos tornamos "o enfeitado". Ou pelo menos em que nos sentimos "o enfeitado".

99,9% dos homens (e as mulheres também) se questionados sobre se preferem ser "o corno" ou "o outro" respondem imediatamente "o outro". Mas o problema é que nós, "os outros", sabemos da existência "d'o corno", enquanto que "o corno" não sabe (pode desconfiar, mas não sabe) da existência do "outro".

E as coisas complicam-se ainda mais quando nós, "os outros", sabemos que "elas" estão com "o corno". É nessa altura que os papeis se invertem. "O outro" passa a "corno", e "o corno" passa a "outro". Com a agravante de nós, "os outros", termos conhecimento de tudo.

A diferença entre "o corno" e "o outro" desaparece na altura em que nós, "os outros", nos deixamos levar pela paixão esquecendo que só com o fascinio é que se pode ser "o outro". Mas o amor é mesmo assim!

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